domingo, 15 de março de 2015

Uma breve análise da conjuntura social

Você já notou que de uma maneira ou de outra, estamos sempre a combater o mal paliativamente?
Praticamente toda solução que se vê é paliativa. Paliativo, caso você não esteja tão habituado com ele, decore este adjetivo, pois isto está impregnado em nossas vidas mais do que se imagina.
De acordo com os efeitos esperados das medidas paliativas, não devemos aguardar por soluções eficazes que combatam o mal em definitivo através de sua raiz, e sim, ver um problema maior se tornar um problema não tão grande como antes.
Para todo esforço exercido buscando uma condição melhor, damos o nome de “melhoria”. E se ousássemos propor a reparação definitiva no lugar da melhoria?
Perdemos a maior parte do tempo discutindo “melhorias” que não passam de medidas paliativas, cujo intento é simplesmente amainar os problemas e não o de resolvê-los de uma vez por todas.
É por isso que se fala em aumento do investimento em educação, mas não necessariamente em democratização do ensino, ou seja, transformar o público e o privado em apenas um, gratuito e com boa qualidade. E é por essa mesma razão, que se fala em reajustar a tarifa dos transportes públicos abaixo da inflação, e não de suprimi-la de uma vez. Do mesmo modo que se diz: o rico deve pagar mais impostos e o pobre menos. Sendo que a rigor, não deveriam existir pobres e nem ricos. 
Parafraseando Brecht: “... vivemos em um mundo em que temos que defender o óbvio.”
As pessoas tendem a confundir golpes disferidos diretamente na raiz com “radicalismo”. E se realmente o for, isso quer dizer que o mundo precisa ser mais “radical”, o que na minha visão significa ser mais "categórico".
Não sou contra as medidas paliativas em determinados casos, afinal, há momentos em que pode não haver outra saída. Mas o que não podemos é continuar viciados nisso e aceitar o paliativo como regra básica para a solução dos problemas em geral. Devemos evitar o paliativo, e usá-lo somente quando em situações atípicas.

Muito bem, como se viu e como se vê, o mundo funciona segundo as diretrizes paliativas. E este texto expressa um singelo protesto e pedido por um mundo menos paliativo e mais incisivo, além de justificar o uso do que pode ser interpretado como “mudança radical” por alguns. 

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