domingo, 12 de outubro de 2014

Quanto a ser livre




A liberdade é o maior bem que qualquer ser vivo poderia desejar. Sem ela, somos feitos escravos, e muitas vezes, somos escravos de nós mesmos.
O “status” é o relógio de bolso que balançando na frente dos nossos olhos tenta nos hipnotizar. E quando estamos sob hipnose, convertemo-nos em meros fantoches.  
A liberdade também tem um custo. E ele não é financeiro. Na verdade, a liberdade custa o nosso conforto. Pois ser livre demanda muito esforço psíquico e físico. Imagine o quão desconfortante seria pararmos para pensar, e abandonarmos o nosso ótimo posto de trabalho juntamente com o nosso gordo salário para sermos livres?
No capitalismo, quanto mais consumirmos, mais teremos que trabalhar. E quanto mais trabalharmos, menos livres seremos.
A partir do instante que aprendemos a conviver sozinhos sem possuir coisas ou pessoas, estamos livres. Este raciocínio poderia ser resumido claramente da seguinte maneira: não possuas para não ser possuído.
Eis que a tua posse te possuís e você mal sabia disso. Repare nas suas preocupações, o seu carro estacionado numa rua qualquer, ele está possuindo os seus pensamentos: “será que ele está seguro o suficiente ali? Ou será que conseguirei quitá-lo em menos tempo?” Percebeste agora o efeito psicológico que os objetos inanimados têm sobre nós? Aquilo que você pensava que possuía, na realidade, é o que te possui.
Ora, a posse é uma ilusão. Nós nunca possuímos algo de fato. Afinal, o que hoje me pertence, amanhã mesmo poderá pertencer a outro. E para dizer a verdade, nem a nossa vida nos pertence.
Somos indivíduos aprisionados por desde a nossa cultura até a nossa ignorância.
É difícil ser livre no mundo atual. Para a nossa liberdade se concretizar nós precisaríamos primeiramente sacrificar a tudo que estamos habituados a conviver. Neste processo, muitas coisas ruins poderiam descer simultaneamente pelo ralo, tais como: o ego, o status, a competição, o ódio, o medo, a submissão, e a maldade. E em contrapartida, muitas coisas convenientes, também: as mentiras, a irresponsabilidade, a cegueira social, a indiferença, o comodismo, a futilidade...
Por isso, eu só tenho apenas dois desejos traçados para daqui até o resto da minha vida, isto é, atingir o ápice da minha liberdade e auxiliar aos outros que queiram fazer o mesmo.