segunda-feira, 21 de julho de 2014

Vale a pena viver?

Eu me questiono muito em volta dessa pergunta: Será que vale a pena viver?
Não espere um texto mórbido, tampouco motivacional. Na verdade, trata-se de uma meditação mais imparcial possível que eu pude fazer acerca da vida.
Não defendo o fim da vida. Mas como eu poderia defender a conservação da mesma? Por quais motivos eu deveria fazê-lo? Pergunto-lhe porque estou à procura de um bom argumento.
É de se esperar que digam que eu estou deprimido. Mas não é a vida que é deprimente? Ou será que o universo inteiro conspira exclusivamente contra a minha pessoa, livrando os demais de qualquer abalo? Provavelmente, não.
Só sei que sinto diariamente o peso da melancolia da vida recaindo sobre a minha face. Quanto mais dias vivo, mais os meus olhos se encolhem, o meu queixo cede separando os meus lábios, e o meu nariz irrompe profundamente uma atmosfera pesada.
Isso é a vida? Dor e sofrimento em troca de momentos felizes esporádicos? Caso eu esteja certo, ela não vale a pena.
Segundo a minha interpretação a vida é como uma escravidão. Escravizamo-nos todos os dias em busca de migalhas de felicidade. Será que somos recompensados conforme o merecemos?
E se não vale a pena viver, por que então eu ainda estou aqui? Por causa dos outros, seria uma boa resposta. Talvez eu apenas esteja inserido numa correnteza, assim como você, e nela somos guiados para frente, para a vida. Só que dentro dessa corrente, poucos param para refletir sobre o que estamos fazendo, ou para onde vamos, ou o que isso tudo significa. Nada, a vida não significa nada. Uma vez que após a morte, nossas memórias são apagadas para todo o sempre. Nesta altura não importará mais o que fomos durante a vida. Só restará mera carcaça.
Não era pra ser tão melancólico. Porém assim a vida é; melancólica e duríssima. Haja força para continuar nessa merda!

segunda-feira, 14 de julho de 2014

A monetização do futebol

Este texto serve como uma declaração pública de minha parte em relação a todo rebuliço causado pelo evento denominado “Copa do Mundo da FIFA 2014”, sediada pelo Brasil.
Antes que este se torne mais um texto contra a Copa, gostaria de esclarecer que não sou fervorosamente contra este desporto em si, criado pelos ingleses ainda no século XIX e aperfeiçoado pelos jogadores latino-americanos, sobretudo pelos brasileiros e... Bem, os brasileiros.
Seja dito de passagem, a essência futebolística é muito bela. Pois como todo esporte, o futebol também promove o trabalho de equipe, a superação, e também a inspiração. Afinal, quem nunca se espelhou em um ou uma grande atleta?
O futebol não é tão impraticável quanto o golfe, assim como não é tão provido de equipamento, como o tênis, por exemplo. Logo, a facilidade de acesso ao mesmo, faz do futebol o esporte mais praticado no planeta.
A questão é que este esporte, pela razão de ser o mais popular mundialmente falando, atraiu interesses corporativistas. Aliás, foram precisamente esses interesses corporativistas os responsáveis por trazer a Copa do Mundo ao Brasil. Saiba desde já que um evento tão grande como a Copa não é, e nunca foi para o povo.
Agora, o que procuro destacar é este processo de monetização do mesmo. As empresas investem desde os clubes até às seleções de futebol. E o problema disso está no volume de dinheiro movimentado. Pois da mesma forma que não podemos ignorar a desigualdade social, não poderíamos aceitar como normal que dezenas de milhões de dólares fossem direcionados a um número tão reduzido de pessoas, atletas, ou seja o que for.
Portanto, o que reprovo é exatamente a monetização/elitização do esporte. Elitização esta, que se dá através das arenas multimilionárias, e até bilionárias em alguns casos, culminando no encarecimento do valor dos ingressos. Redundando mais uma vez no ciclo capitalista de exclusão dos mais pobres. E o efeito disso repercutira inclusive na mídia internacional que se perguntou: “Onde estão os torcedores negros?” Referindo-se ao público presente nos estádios durante esta Copa.
Ademais, alguns ainda nos chamaram carinhosamente de “anticopa”. Mas como qualquer termo pejorativo, ele não explana realmente o que somos. Nós somos apenas contra a farra do capital; o custo deste circo, as remoções arbitrárias, as prisões arbitrárias de manifestantes pacíficos, o governo subserviente e infelizmente, tenho que finalizar com “etc”...
Quanto ao mote utilizado “Não Vai Ter Copa”, se este é o mais criativo ou o mais bem-bolado de todos, não importa. Pois isso não passa de uma nomenclatura. Seja como for, o fato é que nós tínhamos razão desde o início. Afinal, hoje é dia 14 de julho de 2014 e neste dia “Não Vai Ter Copa”, entretanto, sobrarão reclamações do tipo: “Faltam investimentos em educação, em saúde, em moradia, em saneamento básico...!”.
Por fim, é muito bom saber que essa inconveniente Copa acabou. E para isso, eu tomei a liberdade de criar alguns versos musicais. Cante-os no ritmo que você preferir. Aí vai:
Vai Copa vai
E não volte mais
Mas até que eu não sou ingrato
Pois as lutas populares é o seu legado
Vai Copa vai...