domingo, 6 de abril de 2014

O botão "dislike"

Que a sociedade caminha hostil, já sabemos. Ocorre que, essa hostilidade vem se demonstrando cada vez mais destrutiva.

As pessoas não se contentam mais em ignorar o que não lhe agrada. É preciso vociferar ao céu que ela não gostou de alguma coisa.

É evidente que temos o direito de não gostar. Sobretudo, quando aquilo que não gostamos pode descambar em dano social. Exemplo: discurso de ódio. Faz parte de nossos deveres como cidadão denunciar esse tipo de atitude.

No entanto, tratando-se de um universo mais específico como este, o da internet, fica claro como os indivíduos estão altamente perturbados. Qualquer material divulgado sofre críticas no mínimo, desnecessárias.

As pessoas esquecem-se facilmente da dificuldade que representa começar algo do zero. Talvez, elas devessem experimentar arriscar mais do que falar (criticar, no caso).

Não há nenhum problema com a crítica bem-intencionada. Mas uma crítica de caráter público, debochador ou depreciativo, definitivamente, não é bem-intencionada. Eis a trivial “crítica destrutiva”.

Assim como é chato que o seus pais lhe corrijam na frente dos outros, é também ruim ser criticado na frente dos outros, mormente, estranhos.

E a sociedade, está tão agressiva e insensível que já se perdera a noção de que pra tudo existe hora e lugar. Nós, principalmente os adultos, temos obrigação de definir o momento mais apropriado para ressaltar os eventuais defeitos de alguém.

E nas redes sociais, reflexo desta mesma sociedade, clama-se silenciosamente (ou não) por um botão (dislike) cuja função seria desalentar aqueles que divulgam algo como o seu trabalho ou hobby. Pergunto-me: já não basta ignorar o que não gostou? Tem de haver um “botãozinho” negativo desses? Seria muito ódio para uma pessoa só.

É uma pena que as pessoas sejam severamente críticas quanto aos outros. Porém, não consigam fazer uso da autocrítica com a mesma eficácia.

Outra coisa relevante a se mencionar, é a energia incrivelmente gasta para detonar. Às pessoas falta disposição para realizar boas ações como alimentar os mendigos, os animais abandonados, doar sangue, plantar árvores, mas para abrir uma página de internet qualquer, sentar-se e descer as chibatadas através das teclas, jamais falta. Como é o caso dos brasileiros que fazem questão de esculhambar o seu próprio país em qualquer oportunidade que lhes apareça, tanto em sítios nacionais, quanto em internacionais. Novamente, pergunto-me: por que os brasileiros em vez de se ocuparem piamente em destilar severas críticas contra o Brasil, não se ocupam de atitudes que melhorem este país de alguma maneira?

No mais, as palavras tem poder. Logo, elas podem ser usadas tanto para o bem quanto para o mal. Meça as suas palavras onde quer que você esteja (online ou offline), pois elas podem machucar.

Em suma, por uma sociedade mais incentivadora de seus pares, e menos amarga para aqueles que ousam.