domingo, 14 de setembro de 2014

Não vou me adaptar


Parece que tudo quer nos convencer de que o melhor que podemos querer é uma vida de classe média. Uma vida de nível social médio é o que serve de isca para nossa escravização em longo prazo.
Ora, se uma vida de classe média promete e nos atrai por uma suposta tranquilidade, eu indago o que vem a ser essa tranquilidade na prática? Ah, claro. Viver bem. Mas é só isso? Viver bem para mim, e o resto que se exploda?
O fato é que, por uma questão de dignidade, não deveríamos querer pertencer a nenhum tipo de classe, estando ela mais acima ou mais abaixo. O que nós deveríamos desejar é exatamente a supressão de todas elas.
A classe média é a “classe dos em cima do muro”. Isto é, são os mais covardes, os mais hipócritas, os mais indiferentes, e também os mais acomodados.
A classe média só se manifesta a favor ou contra de acordo com o que melhor lhe convém. Caso seja mais conveniente para ela se aliar ao cume dos mais ricos e poderosos, ela o fará sem pestanejar e sem o mínimo pudor.
Por executar um papel intermediário dentro do corpo social, a classe média serve como uma perfeita mediadora no “acordo de paz burguês” firmado entre os mais ricos e os mais pobres. E não é preciso muita perspicácia para perceber que o tal “acordo” não objetiva platonicamente a paz, mas tem sim o intuito de blindar o status quo. Em outras palavras, perpetuar as coisas injustas como elas estão. Ou seja, pobres seguem oprimidos, ricos seguem mandando, e a classe média segue curtindo a sua tranquilidade típica.
Portanto, é possível dizer que a classe média não é uma classe, e sim uma “extraclasse”. Visto que ela não decide e também não é oprimida. Enfim, ela não é porcaria nenhuma.  
Em vista disso, adaptar-se hodiernamente está intimamente ligado a aceitar o sonho de ser um cidadão de classe média. Se ainda não sou classe média, eu hei de viver para ser. Ou se já sou, eu hei de lutar para manter intacta a bolha social em que vivo.
A bolha em que vive a classe média é nociva aos seus próprios hospedeiros. Pois ela cega, de modo a alienar essas pessoas que chegam ao ponto de não reconhecerem mais o verdadeiro contexto social no qual estão inseridas. Tornando o seu egoísmo o mais gritante possível.
E quanto ao custo? Pertencer à classe média é o mesmo que vender todos os seus ideais, jogando fora todo o resquício de compaixão e viver apenas para si mesmo. Não importando se os artigos que ela consome desenfreadamente são oriundos de exploração, ou tampouco se preocupando com a quantidade admirável de lixo que produzem.
É por tudo isto, que a vida de classe média não me atrai e nunca me atraiu. Ela é apenas um chamariz para os tolos. Não vou me adaptar ao modelo de vida que criaram para mim sem me consultar.

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