sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Por que o senhor atirou em mim?

"Por que o senhor atirou em mim?" foi uma das derradeiras palavras pronunciadas pelo jovem Douglas Rodrigues, vítima fatal de um policial militar de São Paulo, que atirou contra o seu peito.  

A frase dita por Douglas antes de morrer tem uma razão. Imaginem quais eram suas características? Resposta: Favelado e negro. Pois é, a violência policial tem cor e endereço.

Infelizmente, este não se trata de um caso isolado. Outras pessoas com as mesmas particularidades foram mortas e continuarão sendo enquanto a polícia for militarizada e as drogas forem ilegais. Nessa guerra, as únicas vítimas são de origem pobre.

Baseado neste simbólico mote eu compus esta música que apenas o repete: Por que o senhor atirou em mim? Várias vezes. Uma pra cada vítima desta violência talvez. 


Ah, e segundo a mídia, o disparo foi "acidental". Ok, só que em bairro nobre não ocorrem "disparos acidentais", não é mesmo?

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Que tipo de amizade é essa?

Experiências recentes me fizeram pensar a respeito disso.

Logo, trago à mesa a seguinte questão: vale a pena evitar o confronto direto com uma pessoa que temos alguma ligação? Sejam essas ligações profundas ou não?

Eu creio que somente uma amizade pura sobrevive após um denso embate entre as partes. Ou seja, tem de haver um respeito mútuo. Pois se houver, um dos dois tentará reatar os laços, e só será possível obter êxito nisso com a cooperação de cada um. Pessoas orgulhosas dificultarão o processo, reconheço.

Isso significa que independente da dimensão da discordância que haja entre as duas pessoas, a verdadeira amizade não se rompe definitivamente.

Por isso não me importo em discutir leve ou acaloradamente com ninguém. Isso é bom. Pois o calor, por mais forte que seja ele não liquefaz uma amizade. Somente as brandas.

Para mim, evitar tais confrontos só é uma boa estratégia pra quem deseja cultivar "amizades superficiais". Não é o meu caso, de modo que eu aproveito o ensejo da colisão para “testar” a mim, e a outra parte. Será que nos gostamos o suficiente para superarmos uma confrontação? E isso, só os dias subsequentes ao conflito poderá responder.

Também penso que uma boa discussão coloca os respectivos caráteres sobre a mesa. Com isso, descobrimos mais quem somos, e quem são.

A boa amizade não se caracteriza simplesmente por ser duradoura, e sim por aquela que resiste mais embates durante a sua história.

É de suma relevância respeitar ao pensamento alheio, pois nem sempre temos a razão, e perdoar um deslize, porque as pessoas podem mudar. Essas são atitudes de um grande amigo. Isso é o amor, amigo.

De fato, não poderia ser diferente. O amor é o combustível de tudo.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O dinheiro se tornou tudo

Chegamos ao ponto de que tudo é uma questão de dinheiro. Absolutamente tudo custa dinheiro.

Sei que a princípio a criação do dinheiro veio com o intuito de facilitar a vida das pessoas, mas no decorrer dos tempos, talvez em prazo muito curto, o dinheiro não serve mais ao homem, e sim o contrário, é o homem quem serve ao dinheiro.

Citamos ordinariamente o verbo “trabalhar”, mas o trabalho não é mais o mesmo desde o advento do dinheiro. Trabalhar hoje em dia significa vender-se. Para quem você se vende? Em troca de quê você se vende? Por quanto você se vende? São essas as perguntas que nós temos que nos fazer.

Logo, um indivíduo não trabalha em uma empresa, ele vende diariamente uma quantidade de horas de sua liberdade pra ela. Tanto que os empregados recebem por horas trabalhadas.

Uma coisa é trabalhar como o homem antigo fazia ao buscar alimentos na selva, fazer fogo a partir de varetas, apanhar folhas de palmeira para a sua casa e etc. Outra coisa são os homens de hoje fazerem comerciais de TV, ou vender qualquer produto ou serviço inútil por exemplo. E o mundo está cheio desses “trabalhadores”.

A verdade é que o dinheiro hoje é sinônimo de liberdade, acessibilidade, tranquilidade, boa ação, enfim, uma infinidade de coisas.

Liberdade porque você só se transportará para algum destino se você tiver dinheiro para pagar a passagem, ou comprar um veículo, ou comprar um veículo e pagar o combustível, ou até mesmo para adquirir uma bicicleta. Acessibilidade porque você necessita de dinheiro para ter acesso às coisas, um exemplo disso é a internet, ou então um hospital de qualidade. Tranquilidade porque se tiver um bom dinheiro você poderá comprar uma residência no interior e lá se refugiar da poluição sonora e ambiental das grandes metrópoles.

Tudo isso quer dizer que o mundo está tão absurdamente capitalista que até para fazer o bem você precisa de dinheiro. Isto é, se você cogitar alimentar alguém que se encontra faminto, você terá que comprar comida para o mesmo. Percebeste? Você comprará a ajuda que pretende dar. É por isso que tantas pessoas no mundo só não ajudam mais porque não tem dinheiro.

Somos todos, vítimas do capital.