quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Por que eu estou revoltado?

Bem, a pergunta mais adequada seria: por que você NÃO está revoltado?

Honestamente, eu não sei como algumas pessoas perguntam isso. Pois as razões que eu tenho pra estar revoltado, são as mesmas que o indagador desta pergunta deveria ter, mas como não têm. Por isso pergunta.

A verdade é muitas vezes inconveniente. Logo, impopular. As pessoas em geral procuram se refugiar em mentiras, por mais que se saiba o quão falso aquilo é.

A partir do ponto de vista crítico a realidade em que vivemos é totalmente revoltante. O problema é que uma excelente parte das pessoas não está vivendo na mesma realidade. Elas vivem em uma “matrix”, ou seja, elas estão absurdamente alienadas ao ponto de desconhecerem os problemas sociais e suas reais causas.

Que inércia é essa que o sujeito não quer saber de nada do que acontece? Evita-se a verdade a todo custo só porque ela não lhe convém? Mas que pensamento mais cretino é esse?

Parafraseando Henry Ford: “é do interesse das instituições bancárias que a população em geral não entenda do sistema monetário, pois se caso entendesse, haveria uma revolução amanhã de manhã.”

Está mais do que na hora de acordarem para a realidade. Até quando escolherão viver um conto de fadas?

Ser “revoltado” não quer dizer uma coisa ruim. Na verdade significa algo bom, visto que o indivíduo que se revolta prova ser digno.  

O dito “revoltado” é o sujeito que observou algo e não fechou os olhos simplesmente, assim como ouviu e não tapou os ouvidos. Enfim, o revoltado não ignora, ele registra em sua própria mente as injustiças.

Quem se revolta se recusa a ser hipócrita, a viver em um imenso oceano de hipocrisia.

Há inúmeros motivos neste mundo para se revoltar, infelizmente. Mas nós não desistimos, e muito menos pensamos em se acomodar em um mundo de ilusões.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

“Jamais ter nascido pode ser a maior dádiva de todas”

Pois é, embora eu seja autor e sempre tenho procurado escrever a minha própria vida, minha frase vital não corresponde a minha autoria.

É precisamente esta que intitula a postagem: “Jamais ter nascido pode ser a maior dádiva de todas.”. Ela é de Sófocles, um dramaturgo da Grécia Antiga. Quer dizer, concebida muito, mas muito antes de eu nascer. Não obstante, esta afirmação é capaz de reunir em uma só máxima duas qualidades quase que antagônicas que são a sutileza e a profundidade, pois ela não se permite ser aceita ou desaceita facilmente. Para que se possa entendê-la melhor, requer um mínimo de reflexão.

Ora, para os possíveis convergentes vertiginosos, a sentença não se trata de odiar a vida, tampouco de desgostá-la. E para os que discordam no primeiro ato, é um equívoco pensar que se trata de uma afirmação suicida ou demasiadamente radical.

Após instantes de reflexão, constatei realmente que não nascer é uma dádiva, uma grande sorte. Pois nós só adquirimos esse “apego” pela vida ao vivermos, ou seja, após nascermos. O que conflita e influencia totalmente a nossa decisão enquanto seres viventes.  

Portanto, a resposta mais imparcial quanto à validade da pena de “experimentar” a vida ou não, viria apenas externamente. Isto é, de um ser que jamais viveu, e que também não conhecesse a vida como ela é. Com o único adendo de que aquilo (viver) não faria o menor sentido.

Retornando a minha idiossincrasia, minha conclusão é a favor da frase sofocliana, primeiramente porque eu sei que não podemos amar algo que nos-é totalmente desconhecido, e segundamente porque não há sentido viver se nós vamos morrer de qualquer forma.

Porém, cá estou eu. Repleto de vitalidade. Embora eu não tenha pedido pra nascer, uma vez nascido, adquire-se entre outras coisas, boas razões para continuar a viver. E quanto à frase de Sófocles, resta-me apenas marca-la como a minha próxima tatuagem, considerando uma singela adaptação pessoal: Jamais ter nascido É a maior dádiva de todas.