segunda-feira, 24 de junho de 2013

As poucas coisas que os apolíticos precisam saber

Se você pouco ou jamais leu sobre política, ou sequer acompanha os fatos políticos há bastante tempo, este texto é direcionado especialmente a você.

Breve e didaticamente explicarei o que é de mais essencial sobre política, e que todos os cidadãos deveriam saber.

Primeiramente, em definição política é um ramo das ciências sociais que trata da organização dos Estados, isto é, as nações, distritos, municípios e demais concernentes.

Logo, todas as coisas ao nosso redor estão inteiramente ligadas com questões de governo, ou seja, com determinações políticas. A isso se enquadram, por exemplo, o preço de todos os produtos, desde a energia ao arroz, também o que podemos ou não comprar, em quais lugares podemos ir, em quais lugares não podemos ir, enfim, uma infinidade de decisões políticas nos cercam e elas, por sua vez, decidem como viveremos nossa vida.

Ciente disso, todo cidadão queira ou queira está envolvido com política, visto que o mesmo está inserido em um Estado de governo determinado. Agora, cabe a cada um desistir de sua negligência em relação ás medidas que cerceiam sua vida. Ainda aproveito o ensejo a fim de parafrasear o filósofo Platão: “O preço a pagares por sua não participação na política é seres governado por quem é inferior.” Sacou?

Participar da política não significa votar em alguém, e sim perguntar-se por que é necessário votar alguém?

Ao contrário do que muitos pensam, ser político não é necessariamente exercer um cargo na gestão pública, tampouco é preciso ser eleito por alguém. Você já pode se considerar político a partir do momento que se importa com tais decisões e cria suas próprias ideias políticas. Por exemplo, você pode criar e aplicar uma política de racionamento em sua casa, onde se prevê regras e até punições, caso você seja dos mais severos. Entende que a maioria das pessoas que diz detestar política, é intrinsecamente política?

Politicar não é pronunciar uma série de belas promessas, isso é demagogia, hahaha... Politicar é simplesmente discorrer sobre tal assunto, apoiando-se sempre nas soluções dos problemas sociais de acordo com a sua perspectiva. Lembre-se, reclamar de políticas sem apresentar alternativas melhores não ajuda em nada.

Outro clichê é a separação dos povos, justamente estes que têm todos os motivos para sempre se manterem unidos, considerando que sofrem de problemas iguais. Haja vista a política partidária, que contribui grandemente para essa segregação, além disso, os termos muito usuais nas mídias jornalísticas onde intitulam fulanos como sendo de esquerda, outros de direita, centro, ultradireita, entre outros vocábulos da moda.

A verdade é que essas “direções” para as quais tentam discriminar as pessoas são meramente rótulos desnecessários, você não precisa decorar nada disso, pois eles não existem na realidade, logo se fazem ridículos. A única preferência política que você precisa traçar é: se você defende tudo aquilo que for melhor para os seres humanos em geral, ou se você prioriza os seus interesses pessoais com o uso da política.

Agora sabendo da importância que tem a política em toda a sua vida, sobretudo de seu papel perante a sociedade em que vive, é extremamente aconselhável que você passe a observar as questões políticas com mais interesse, pois somente assim você poderá guiar a sua própria vida e impedir que governos alheios interfiram autoritariamente nela.

terça-feira, 18 de junho de 2013

17 de junho de 2013, o dia em que marchamos até o Palácio dos Bandeirantes

Partimos do Largo da Batata conforme o combinado. Muita gente se aglomerou ali, o que nós não sabíamos é que aquilo representava somente um ensaio para o mar de pessoas composto por centenas de milhares que estava prestes se formar.

Eu que estive presente, gritei, registrei, berrei mais ainda, bati palmas, cantei, pulei, levantei cartaz e até me manifestei inclusive, rs. 

Posso dizer que, o momento mais lindo de todos ocorreu na gigantesca Av. Brigadeiro Faria Lima, uma das principais veias da capital paulista, e também do Brasil.

É inesquecível, eu, como mais uma gota naquele mar de pessoas marchando e gritando incansavelmente em direção das janelas dos arranha-céus da Faria Lima: Vem! Vem! Vem pra rua vem contra o aumento! Enquanto que algumas pessoas dos prédios se compadeciam com a nossa luta demonstrando apoio ao dançarem lá de cima, ao enviar acenos, beijos e sorrisos pra gente. Foi fantástico!

É impossível definir a “megamanifestação” ocorrida em 17 de junho deste ano (2013), em uma só palavra. Elas poderiam ser: Belíssima, inesquecível, extasiante, transcendente, revolucionária, histórica. Quem esteve lá, entrou para a história!

Eu considerei a manifestação de ontem também uma “festa política”, ela foi tão transcendente que somente quem esteve lá sabe do que eu estou falando.

Eu não me recordo de ter caminhado tanto, as minhas juntas chegaram ao limite. Pensa, marchar da Faria Lima até o Rio Pinheiros entre vários saltos de muretas de proteção, onde dali subimos pela ponte Estaiada, e aproveitando a proximidade com o edifício da Rede Globo, bradamos: O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo!

Outra nota interessante a destacar é o papel exemplar da polícia militar de São Paulo, talvez exausta de reprimir manifestantes nos atos anteriores, desta vez não nos cercaram, não atiraram, ela sequer apareceu em nossa frente, deixando a marcha correr livremente e organizar-se por si mesma. O que nos levou a outro coro: “Que coincidência, não tem polícia, não tem violência!”. 

Minutos após isso, encontrei PMs no meio do trajeto e aproveitei para cumprimenta-los um a um, feito isso, saí até numa foto em meio a simpatia dos policiais e dos manifestantes para com eles. Pois é, como diria aquele outro: Você aí fardado, também é explorado!

Finalmente desembocamos em pleno Palácio dos Bandeirantes. Como na maior parte eu estive junto à linha de frente e contribui bastante com minha garganta entoando coros, ao chegar encontrei um cantinho no muro feito de pedra, onde pude dobrar os joelhos um pouco. Conversei. Aguardei. Consultei o relógio, e eram pouco mais de 21h00. Senti que não podia ir embora depois de tudo aquilo. Tínhamos que fazer uma “pressãozinha”, e conseguimos. Só depois de uma hora e meia com o portão sendo pressionado continuamente em movimentos de vai vem, arremessaram a primeira bomba de gás lacrimogênio. O efeito disso é muito forte, eu estava a uns quinze metros de distância da bomba e mesmo assim o produto irritou minha garganta, bem como meus olhos instantaneamente. Com meu nariz encoberto por minha camiseta me afastei juntos com todos, foi precisamente aí que ocorreu o momento lamentável; vi um moleque que batia no meio peito em altura, de roupa suja e surrada entortando uma plaqueta e estourando uma lâmpada ao atirar uma pedra, além disso, uma linha de PMs que se formava do lado de dentro não reagiu, embora alguns violentos atirassem pedras contra eles. Por mais que eu gritasse: Sem violência! De nada adiantou. Enfim, esta é a pífia minoria de 1% que não sabem direcionar a sua raiva para o ponto certo, isto é, na busca por uma solução. 

Por fim, aquele dia que deveria ser mais um dia comum como qualquer outro, tornou-se histórico pela gigantesca mobilização de um povo que está acordando.

Mas não se preocupe se você ficou de fora de tudo isso, até porque temos razões para protestar todos os dias. Então aproveite a oportunidade para entrar para a história da próxima vez, e até lá, eu espero já estar restaurado das dores adquiridas neste ato para participar com você.
Eu presente

Largo da Batata
Partida inicial da marcha
O Palácio dos Bandeirantes

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Derrotando o ego

Em analogia, o ego é como uma grande rocha carregada junto ao ombro. E nós só carregamos este peso para demonstrarmos aos outros que somos “fortões”. Mas ainda como uma rocha, nós podemos soltá-la a qualquer instante, libertar-nos deste estorvo é uma escolha nossa.

Portanto, a analogia é muito feliz, pois ela esclarece que o ego está em nós, porém ele pode ser descartado, deixado para trás.

O capitalismo é o grande culpado por estimular nossos respectivos egos. Nele, aprendemos desde cedo a competir acirradamente uns com os outros, pois há um mercado extremamente concorrido nos aguardando. No entanto, não aprendemos a fazer juntos, para alguém ou para todos, muito menos sem que isso seja em troca de recompensas financeiras.

O foco do capitalismo é sempre nós mesmos, o indivíduo, você, eu, cada um com seus problemas.

Para superarmos alguém devemos antes derrotar o nosso ego. Somente após conseguirmos isso, finalmente perceberemos que não há ninguém a se superar. Não há necessidade disso, jamais houvera.

O consumismo que praticamos serve para nos fazer mais vistosos, e como se já não bastasse a frivolidade do ato, as quantias que gastamos para sustentar o ego poderiam ser utilizadas para algo digno de fato.

Contudo, não se derrota o ego uma única vez, a luta contra o ego é eterna. Ela recomeça a cada oportunidade que ele surgir, e caberá a você superá-lo. Lembra-se de derrubar a pedra? Pois então a solte e se sentirá leve como uma pluma!

Um bom remédio para se combater o egocentrismo é a humildade, ela trata desta enfermidade psicológica equilibrando sua preocupação com si mesmo e com os outros.


Outra dica é não tentar provar nada. Ninguém precisa ser o novo Gandhi, ou o próximo Che Guevara. Basta não permitir o seu ego inflamar, para isso evite duelos de ego com outros indivíduos, essas disputas são totalmente imbecis. O que nós precisamos é vencer apenas uma pessoa em todo o universo, nós mesmos.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Nós, os animais

O ser humano é especialista em crueldade tanto para com as demais espécies, quanto para com a sua própria. Qual é o único animal que escraviza até mesmo a sua própria espécie? A resposta para essa questão é redundante.

A selvageria animalesca que se é possível acompanhar diretamente das florestas, empreendida por seres tidos como “irracionais”, como por exemplo, a caça ou o confronto de machos, elas não chegam nem próximo do que o ser humano é capaz de fazer em termos de requintes de crueldades. A propósito, os animais caçam por sobrevivência, já os homens matam por gula, egoísmo e hipocrisia.

O ser humano pode ser tão assustadoramente atroz ao ponto de atear fogo em outro ser humano, matar o próprio filho ou os seus pais. Enfim, as barbaridades dos bichos homens são inúmeras, acho que estas demonstrações já são suficientes. O fato é que os animais chamados de “irracionais” jamais fariam ou fazem esses tipos de coisas, então porque eles são chamados assim? Isso é injusto, é um equívoco. Na verdade isso tem nome, isso se chama "especismo".

Uma das características ao menos do homem moderno, é o seu ego, e é daí que surge o especismo, racismo, escravismo, dentre outros. Quando um homem considera-se mais importante do que os animais não falantes, ele está sendo especista. Bem como, quando um homem considera-se superior a outro homem de outra raça, ele está sendo racista.

O aglomerado humano é como um vírus, que consome os recursos do planeta e o maltrata. "Equilíbrio natural" é um termo desconhecido por seres como nós.

A conclusão que chego é a de que a inteligência está no animal errado. Seria melhor para o mundo e inclusive para os próprios seres humanos, que eles ainda fossem macacos, ao menos assim não se praticariam tantas perversidades.

A verdade é uma só. Ela não é o que desejamos que ela seja. Ela é muitas vezes o que ignoramos.

Será que ninguém percebe que o mundo só não muda significativamente porque são poucos os que estão fazendo a sua parte? Será que as pessoas não percebem também, que a chave para a salvação de todos está dentro de nós mesmos, e que cada pequeno gesto que tomamos impacta o mundo todo?