domingo, 3 de maio de 2015

Ensaio sobre a dor

Não está na moda escrever sobre a dor
Assim como nunca esteve.
As pessoas querem o clichê:
Contos de fadas, finais felizes, enfim, a vida perfeita.
Entretanto, eu estou aqui para dizer que a vida não é perfeita,
Ela é repleta de dor

A dor de nascer no lugar ao qual não se pertence
A dor de querer o que não se pode
A dor de ver a sua vida passar enquanto você espera que as coisas melhorem
A dor da impotência
A dor da ausência
A dor da humilhação
A dor da opressão
A dor da injustiça
A dor de qualquer coisa...

Ardor no meu peito
Ardor em minh’ alma

Sim, eu sou o poeta triste
O poeta da dor
Assim como deve existir o poeta do amor

Mas rejeitar a dor significa rejeitar a realidade imanente e inviolável
Rejeitar a realidade é tudo o que o feliz quer
Pois a realidade não nos permite ser felizes

Sorrir na hora que está triste é hipocrisia
Uma hipocrisia com a qual estamos acostumados

Ser o poeta da tristeza é um fardo!
Não é para covardes!
Afinal, quem tem coragem de assumir a triste realidade das coisas?
Tampouco, admitir que sente dor todos os dias?

Ok, a vida não é só feita de tristeza.
Argumentar isso você pode,
Mas uma parte considerável dela, é

A dor emocional é ainda mais dura que a física
Visto que a física, você ainda pode tocar, massagear, colocar gelo
Todavia, como eu poderia colocar gelo em minha alma?

Eu sou o poeta da dor
Pois dela eu entendo
Ainda bem
Pois isto significa que eu ainda sinto
Meu coração, literalmente, sangra todos os dias
E quem sequer tem coração?

domingo, 15 de março de 2015

Uma breve análise da conjuntura social

Você já notou que de uma maneira ou de outra, estamos sempre a combater o mal paliativamente?
Praticamente toda solução que se vê é paliativa. Paliativo, caso você não esteja tão habituado com ele, decore este adjetivo, pois isto está impregnado em nossas vidas mais do que se imagina.
De acordo com os efeitos esperados das medidas paliativas, não devemos aguardar por soluções eficazes que combatam o mal em definitivo através de sua raiz, e sim, ver um problema maior se tornar um problema não tão grande como antes.
Para todo esforço exercido buscando uma condição melhor, damos o nome de “melhoria”. E se ousássemos propor a reparação definitiva no lugar da melhoria?
Perdemos a maior parte do tempo discutindo “melhorias” que não passam de medidas paliativas, cujo intento é simplesmente amainar os problemas e não o de resolvê-los de uma vez por todas.
É por isso que se fala em aumento do investimento em educação, mas não necessariamente em democratização do ensino, ou seja, transformar o público e o privado em apenas um, gratuito e com boa qualidade. E é por essa mesma razão, que se fala em reajustar a tarifa dos transportes públicos abaixo da inflação, e não de suprimi-la de uma vez. Do mesmo modo que se diz: o rico deve pagar mais impostos e o pobre menos. Sendo que a rigor, não deveriam existir pobres e nem ricos. 
Parafraseando Brecht: “... vivemos em um mundo em que temos que defender o óbvio.”
As pessoas tendem a confundir golpes disferidos diretamente na raiz com “radicalismo”. E se realmente o for, isso quer dizer que o mundo precisa ser mais “radical”, o que na minha visão significa ser mais "categórico".
Não sou contra as medidas paliativas em determinados casos, afinal, há momentos em que pode não haver outra saída. Mas o que não podemos é continuar viciados nisso e aceitar o paliativo como regra básica para a solução dos problemas em geral. Devemos evitar o paliativo, e usá-lo somente quando em situações atípicas.

Muito bem, como se viu e como se vê, o mundo funciona segundo as diretrizes paliativas. E este texto expressa um singelo protesto e pedido por um mundo menos paliativo e mais incisivo, além de justificar o uso do que pode ser interpretado como “mudança radical” por alguns. 

domingo, 25 de janeiro de 2015

Os protestos além das ruas

É claro que nós sabemos que os protestos devem ir além das ruas e somente quando os cidadãos estiverem organizados é que teremos alguma chance de mudar o que está estabelecido.
No entanto, os protestos de rua são de suma importância tanto para os veteranos que por lá marcham representando os seus respectivos movimentos, quanto para o manifestante apartidário e desligado de quaisquer movimentos, por ora.
Todavia, se para tudo há um começo, manifestar-se publicamente nas ruas significa dar o pontapé inicial para a sua própria politização. Além do que, nada mais confiável do que os nossos próprios olhos para conferir o que realmente ocorre nas ruas durante as passeatas.
E quem frequenta manifestação, conhece melhor do que ninguém o modus operandi dos militares que, em teoria, deveriam “proteger”, mas acabam por fazer o contrário.
Sempre fortemente equipados com capacetes, escudos, cassetetes, armas e bombas, os agentes da repressão fazem um cordão de isolamento em volta de nós, os manifestantes. Entretanto, o fato é que eles estão ali tão próximos com o intuito óbvio de mandar o direito à livre manifestação para o ralo abaixo, a qualquer instante.
Enfim, desde que se tem conhecimento, o braço opressor do Estado é um clichê em protestos populares. Mas o que eu gostaria mesmo é me ater à questão de até onde vai o nível de politização das pessoas.
Se os protestos simbolizam a força do povo face à sua pauta reivindicativa, é interessante saber o que faz o manifestante além de se manifestar nesses atos em prol da causa que ele está defendendo?
As ruas é o local por onde o mar da revolta popular escoa, e é também por onde a voz da população, que na maior parte do tempo é calada, finalmente consegue bradar por seus direitos, para tecer críticas, e para inclusive, incentivar os seus semelhantes a se juntarem à luta.
Por fim, reitero que somente através da consciência de classe, isto é, uma classe consciente da injustiça que sofre, é que haverá chances reais de sua própria emancipação.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

A ideologia

Vivemos sob a sociedade dos rótulos. Estamos absurdamente acostumados a rotular aos outros e a nós mesmos.

Rotular redunda em definir, e definir, por sua vez, redunda em limitar. Parece que se nos definirmos agora, estaremos nos fechando para as novas e boas ideias que ainda não conhecemos.

É por isso que no instante em que me indagam: afinal, qual é a sua ideologia? Eu respondo: o melhor de cada uma delas.

Ideologias novas ou velhas, temos de saber filtrá-las. Pois nenhuma ideologia é impassível de contradições ou extremismos.

Ideologia pode carregar uma complexidade de nomenclaturas e derivar de diversas origens, contudo, ela também pode ser mais lacônica e prática.

Ideologias separam e unem indivíduos concomitantemente, mas não por culpa de si mesma. Já que por trás de quaisquer ideologias existe um caráter individual. E este sim, é o intrínseco responsável por destruir ou construir algo.

E se a ideologia é bem-vinda? Eu não vejo como viver sem ideologia. O que é possível apenas é viver sem declara-las. Todavia em nosso âmago, seguimos sempre aquilo que acreditamos.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A crescente onda de antipetismo



Acredito que este tsunami antipetista que se instaurou é proveniente, sobretudo, da desinformação. Não ler a notícia completa e se limitar apenas à manchete são uma das principais características do antipetista ferrenho. Além é claro, de se contentar com o que se veicula nas mídias mais tradicionais de informação e, por isso, mais acessadas. Mas não necessariamente confiáveis.
Queridos amigos, é preciso dizer que essa mídia estabelecida aí, isto é, todo o monopólio da informação, alguns exemplos são: Rede Globo, Veja, Estadão, Folha de S. Paulo. É o que compõe o PIG (Partido da Imprensa Golpista)? Passe a acompanhar as mídias alternativas independentes, aquelas que não necessitam de grande capital para funcionar. Essas, indubitavelmente, são largamente mais imparciais, logo, mais confiáveis. Caso o faça, com certeza você irá sentir uma nítida diferença.
Se Aécio conseguiu 50 milhões de votos foi devido à parcela equivocada do povo. Afinal de contas, para alcançar tamanha expressão de votos haja “Jereissatis”, “Neves”, “Alckmins”, “Serras”, “Cardosos”, entre outros. Então, foi por conta desses antipetistas tresloucados que eu me vi obrigado a votar em Dilma. Embora eu tivesse, e ainda tenha, grandes divergências com a política adotada por este partido que se diz “dos trabalhadores”. É mais ou menos como diz aquela pilhéria: “Malditos antipetistas que me fizeram votar em Dilma!”.
Uma forte motivação para a avalanche de votos que recebera Aécio dá-se através do preconceito e paranoia em relação ao comunismo. Quanto a isso, deixemos claro o seguinte: o PT não é comunista. Tampouco de esquerda. Eles se definem como sendo de “centro-esquerda”, mas particularmente falando, eu o definiria como “centro-esquerda-meia-boca”, ou o mesmo que “centro-centro” (nada a ver com comunismo), entende? E como não poderia faltar, eu recomendo a todos que tenham “medo” do comunismo que leiam Karl Marx, pois a única maneira de entender um tema é estudando-o, e não vomitando preconceitos e achismos. 
Além das claras tentativas de golpe de mídia a fim de depor Dilma, o que também gera antipetismo nas pessoas é o próprio comodismo delas. É muito mais confortável focar a culpa de todos os males do mundo em um único alvo. É um discurso fácil de criar e de se repetir, como fazem feitos papagaios da mídia tradicional. É muito cômodo terceirizar a investigação dos fatos e aceitar uma manchete de jornal, ou uma capa de revista como verdade absoluta. As pessoas necessitam de uma dose de discernimento. Definitivamente, não podemos crer em tudo o que os jornais nos transmitem! Lembre-se que, outra forma de manipulação conhecida é a de ofuscar informações. Ou seja, a mídia interesseira simplesmente não mostra o que rebate as suas críticas. Basicamente, ela dá ênfase ao que lhe é favorável e esconde o que lhe é refutável.
Aliás, é muito conveniente ser antipetista depois de assistir o Jornal Nacional ou ler a Veja. Pois essas mídias não ousam publicar sequer um caso de corrupção envolvendo os partidos que elas apoiam, como o PSDB, seja dito de passagem. Ao passo que fazem questão de linchar publicamente um partido como o PT e o seu guru, Lula.
E infelizmente, as pessoas que estão se politizando agora, são presas fáceis para essa mídia manipuladora. Quer dizer, está na moda ser antipetista. E quem lança as modas na sociedade são justamente os veículos de informação, bem como, os ditos formadores de opinião. 
É fácil chegar em casa, ligar a televisão no “Jornal Nacional”, assim como também é muito fácil assinar a Veja, apanhar o Estadão ou a Folha de S. Paulo na primeira banca de jornal. Enquanto que requer mais esforço pesquisar diferentes fontes de informação sobre um determinado assunto.

domingo, 12 de outubro de 2014

Quanto a ser livre




A liberdade é o maior bem que qualquer ser vivo poderia desejar. Sem ela, somos feitos escravos, e muitas vezes, somos escravos de nós mesmos.
O “status” é o relógio de bolso que balançando na frente dos nossos olhos tenta nos hipnotizar. E quando estamos sob hipnose, convertemo-nos em meros fantoches.  
A liberdade também tem um custo. E ele não é financeiro. Na verdade, a liberdade custa o nosso conforto. Pois ser livre demanda muito esforço psíquico e físico. Imagine o quão desconfortante seria pararmos para pensar, e abandonarmos o nosso ótimo posto de trabalho juntamente com o nosso gordo salário para sermos livres?
No capitalismo, quanto mais consumirmos, mais teremos que trabalhar. E quanto mais trabalharmos, menos livres seremos.
A partir do instante que aprendemos a conviver sozinhos sem possuir coisas ou pessoas, estamos livres. Este raciocínio poderia ser resumido claramente da seguinte maneira: não possuas para não ser possuído.
Eis que a tua posse te possuís e você mal sabia disso. Repare nas suas preocupações, o seu carro estacionado numa rua qualquer, ele está possuindo os seus pensamentos: “será que ele está seguro o suficiente ali? Ou será que conseguirei quitá-lo em menos tempo?” Percebeste agora o efeito psicológico que os objetos inanimados têm sobre nós? Aquilo que você pensava que possuía, na realidade, é o que te possui.
Ora, a posse é uma ilusão. Nós nunca possuímos algo de fato. Afinal, o que hoje me pertence, amanhã mesmo poderá pertencer a outro. E para dizer a verdade, nem a nossa vida nos pertence.
Somos indivíduos aprisionados por desde a nossa cultura até a nossa ignorância.
É difícil ser livre no mundo atual. Para a nossa liberdade se concretizar nós precisaríamos primeiramente sacrificar a tudo que estamos habituados a conviver. Neste processo, muitas coisas ruins poderiam descer simultaneamente pelo ralo, tais como: o ego, o status, a competição, o ódio, o medo, a submissão, e a maldade. E em contrapartida, muitas coisas convenientes, também: as mentiras, a irresponsabilidade, a cegueira social, a indiferença, o comodismo, a futilidade...
Por isso, eu só tenho apenas dois desejos traçados para daqui até o resto da minha vida, isto é, atingir o ápice da minha liberdade e auxiliar aos outros que queiram fazer o mesmo.

domingo, 14 de setembro de 2014

Não vou me adaptar


Parece que tudo quer nos convencer de que o melhor que podemos querer é uma vida de classe média. Uma vida de nível social médio é o que serve de isca para nossa escravização em longo prazo.
Ora, se uma vida de classe média promete e nos atrai por uma suposta tranquilidade, eu indago o que vem a ser essa tranquilidade na prática? Ah, claro. Viver bem. Mas é só isso? Viver bem para mim, e o resto que se exploda?
O fato é que, por uma questão de dignidade, não deveríamos querer pertencer a nenhum tipo de classe, estando ela mais acima ou mais abaixo. O que nós deveríamos desejar é exatamente a supressão de todas elas.
A classe média é a “classe dos em cima do muro”. Isto é, são os mais covardes, os mais hipócritas, os mais indiferentes, e também os mais acomodados.
A classe média só se manifesta a favor ou contra de acordo com o que melhor lhe convém. Caso seja mais conveniente para ela se aliar ao cume dos mais ricos e poderosos, ela o fará sem pestanejar e sem o mínimo pudor.
Por executar um papel intermediário dentro do corpo social, a classe média serve como uma perfeita mediadora no “acordo de paz burguês” firmado entre os mais ricos e os mais pobres. E não é preciso muita perspicácia para perceber que o tal “acordo” não objetiva platonicamente a paz, mas tem sim o intuito de blindar o status quo. Em outras palavras, perpetuar as coisas injustas como elas estão. Ou seja, pobres seguem oprimidos, ricos seguem mandando, e a classe média segue curtindo a sua tranquilidade típica.
Portanto, é possível dizer que a classe média não é uma classe, e sim uma “extraclasse”. Visto que ela não decide e também não é oprimida. Enfim, ela não é porcaria nenhuma.  
Em vista disso, adaptar-se hodiernamente está intimamente ligado a aceitar o sonho de ser um cidadão de classe média. Se ainda não sou classe média, eu hei de viver para ser. Ou se já sou, eu hei de lutar para manter intacta a bolha social em que vivo.
A bolha em que vive a classe média é nociva aos seus próprios hospedeiros. Pois ela cega, de modo a alienar essas pessoas que chegam ao ponto de não reconhecerem mais o verdadeiro contexto social no qual estão inseridas. Tornando o seu egoísmo o mais gritante possível.
E quanto ao custo? Pertencer à classe média é o mesmo que vender todos os seus ideais, jogando fora todo o resquício de compaixão e viver apenas para si mesmo. Não importando se os artigos que ela consome desenfreadamente são oriundos de exploração, ou tampouco se preocupando com a quantidade admirável de lixo que produzem.
É por tudo isto, que a vida de classe média não me atrai e nunca me atraiu. Ela é apenas um chamariz para os tolos. Não vou me adaptar ao modelo de vida que criaram para mim sem me consultar.